Domingo não irei

“Não no nosso domingo,
não no meu domingo,
não no domingo…” (Álvaro de Campos)

Nesse dia
tão cinza
quanto objeto
esticarei as pontas
do elástico
para ver o tempo
se forjar
espantalho
– botando as aves pra correr –

Não tem sol
nem churrasco
mas o vizinho
ouve Bezerra da Silva
pra reabilitar as velhas
memórias de quando
éramos despreocupados
em assistir ao castelo
desmoronar

As curvas se ergueram
mesmo a fumaça
desenhista de parede
já hesita assumir
certos riscos de traços
tragos das cores

É domingo
para todos àqueles
que lançaram âncora
madrugada adentro

Amanhecemos sutis
sem conhecer os destinos
para onde nossas asas
teimam voltar.

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